quinta-feira, 16 de setembro de 2010

BARULHÃO GOSTOSO


Maria Mijona fedia. Tinha esse apelido de Maria Mijona porque fedia a mijo. Mijava na roupa, mijava no papelão que dormia. Fedia mijo no cabelo, no braço, nas micoses do pescoço, na barriga branca inchada de lombriga, nos dentes cariados, no calcanhar sujo de graxa e terra, na roupa puída, nas pernas, na pererequinha.
- Maria Mijona, cê fede a mijo sua suja! – dizia a mãe dela.
A mãe da Maria Mijona não fedia, mas fodia. Fodia com os caminhoneiros enquanto a Maria Mijona dormia embaixo das rodas do Mercedes dois-eixos. A mãe da Maria Mijona dormia num cubículo sujo, perto do pátio dos caminhoneiros, atrás da borracharia Golden Shower . A Maria Mijona adorava ficar na borracharia conversando com o Seu Orlando, o borracheiro dono da borracharia. Ele que disse que a pererequinha dela fedia a mijo. E depois desse dia que ele descobriu que a pererequinha dela fedia a mijo, ele deu um filhotinho pequenininho de cachorro, bonitinho, pra Maria Mijona. Ela adorava brincar com o cachorrinho. Não gostava era de dormir no papelão fedendo a mijo, dentro do quartinho atrás da borracharia. Odiava quando a sua mãe ia fazer xixi de madrugada perto dos pneus dos caminhões estacionados ao lado da borracharia e ouvia o barulho do xixi saído de dentro da mãe dela. A mãe dela mijava alto. E a Maria Mijona tapava o ouvido pra não escutar o barulho. Ela acordou uma vez e viu uns caminhoneiros escondidos vendo a mãe dela mijar o jato e ouviu eles chegando pra cima dela.
- Faz o barulhão! Faz o barulhão gostoso aê, faz!
E viu que eles gostavam de ficar ouvindo o barulho. O barulho alto, jorro forte, grosso, líquido amarelo escuro furando a terra seca.
-Putamerda, feito mijo saído das beiça da buceta de uma égua arrombada! - disse um dos caminhoneiros.
E a Maria Mijona ficava com vergonha porque a mãe dela era mais mijona do que ela e deve ter sido a mãe dela que ensinou ela a ser mijona assim, pensou.
- Parece a bixiga de uma porca no cio!
E a Maria Mijona ouvindo aquilo riu e lembrou que a mãe dela não tinha mais bexiga, porque no mês passado a mãe dela tava mijando na roda do caminhão e a Maria Mijona tava com o ouvido tampado como sempre, mas mesmo assim escutou o grito da mãe e correu pra lá e viu a mãe caída no chão toda ensangüentada apontando pro canto e dizendo:
- Não olha pra lá Maria, não olha pra lá!
E a Maria Olhou e viu um troço vermelho estranho e perguntou mãe o que é aquilo e a mãe dela disse que era a bixiga e desmaiou e a Maria Mijona foi lá e viu que era uma bola de carne e fez xixi em cima da tal bixiga da mãe dela pra limpar viu que a bixiga da mãe dela tinha braço e perna e cabelo e pererequinha também e disse que coisa esquisita e pegou a bixiga e deu a bixiga pros cachorros do Seu Orlando comer. E brigaram pra comer tudinho. Não sobrou nada da maldita bixiga.
- A bixiga desgraçada que fazia a minha mãe fazer aquele aquele barulho todo quando tava fazendo xixi! - comemorou a Maria Mijona.
Mas não adiantou porque a mãe dela continuou mijando pros caminhoneiros.
E ela odiava quando o Seu Orlando chamava os caminhoneiros pra verem a mãe dela mijar. Juntavam em volta dela e gritavam Bucetuda! Arreganhada! Buçanha arrombada!, e jogavam dinheiro perto da mãe dela pra ela mijar mais e davam dinheiro também pro Seu Orlando.

- Faz o barulhão aê ô vadia ! Barulhão! Mija vaca! Barulhão! – gritavam em coro.
E a Maria Mijona não gostava de ver nem ouvir aquilo e ia brincar com o cachorrinho na borracharia do Seu Orlando. E teve um dia que o Seu Orlando disse olha só que maneiro Maria Mijona. E pegou umas lascas dum troço e disse que era carbureto e colocou no chão e tirou o negócio dele pra fora e fez xixi em cima e começou a pegar fogo, fogo mesmo, de verdade. É mágica, ele disse, é o líquido mágico que sai de dentro de mim e foi lá dentro da borracharia e pegou umas revista que tinham umas fotos de gente adulta fazendo xixi uma em cima da outra e o Seu Orlando disse pra ela que essas pessoas eram especiais porque o xixi delas também era mágico e perguntou se ela queria ficar com o xixi mágico também. Ela disse, sim, sim, eu quero ficar com o xixi mágico e quero que a minha mãe fica também, quero que o xixi mágico faz a minha mãe fazer barulhinho fininho igual a mim quando eu faço xixi, mas o Seu Orlando disse que só ia ensinar pra ela e pra mais ninguém, é pegar ou largar, e ela aceitou assim mesmo e ele pegou e botou o negócio dele pra fora de novo e disse fica quietinha e fez xixi no cabelo dela, nos braços dela, nas micoses do pescoço dela, na barriga branca inchada de lombriga dela, nos dentes cariados dela, no calcanhar sujo de graxa e terra dela, na roupa puída dela, nas pernas dela, na pererequinha dela.
- É quentinho! - ela disse do banho de xixi.
E depois que ele fez esse xixi todo ele disse olha só e pegou um pouco da lasca do tal carbureto e colocou num pedaço de pão e deu pro cachorrinho dela comer e ele comeu tudinho e , sem mais nem menos, o cachorrinho começou na correr gritando feito um louco e o Seu Orlando colocou uma caneca dágua na frente do cachorrinho e ele começou a lamber a água toda e de repente...ta ta ta ta....surgiu um rombo na barriga do cachorrinho. Tripa caindo, fedendo muito, muito mesmo, uma fumaça que saiu das tripa do cachorro. E aí o Seu Orlando falou olha só e mandou ela abaixar a calcinha e levantar a saia e fazer xixi em cima do cachorrinho. Fecha o olho, fecha o olho e faz xixi, faz xixi, isso, faz xixi,e ela fez e ele mandou abrir o olho, quando ela abriu o olho e olhou pra baixo, o cachorrinho tava vivinho da silva sem o buraco na barriga e tava até um pouquinho maior e com o pêlo um pouco diferente e o Seu Orlando disse que ele tornou o xixi dela mágico quando ele fez xixi nela e o xixi fez o cachorro renascer e até ficar maior um pouco, disse o Seu Orlando. Meu xixi te deu poder e como eu já sou poderoso à beça, cê viu, vou ficar mais poderoso ainda. Quer ver? Quero. Quero. Então olha só: agora faz xixi na minha cabeça preu ficar mais forte. Como assim? Abre as pernas que eu vou botar a cabeça embaixo da sua pererequinha e você faz muito xixi na minha cabeça. Muito, mas muito mesmo, tá? Faz força pra sair bastante xixi, tá? E ele deitou embaixo dela e ela fez a xixizada toda como ele pediu. Molhou o cabelo todinho. Até beber, ele bebeu o xixi mágico. E de repente ele levantou com a cara toda molhada de xixi e deu um pulo feliz dizendo que era o super-homem, sou o super-homem, sou o super-homem, e pegou um pneu de caminhão grandão e levantou no alto e a Maria Mijona riu pra caramba do Seu Orlando agora fortão com o xixi mágico dela.

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